MARIA DO CÉU PEREIRA FERNANDES
Pioneira na luta pela emancipação da mulher, primeira
deputada eleita no Rio Grande do Norte, Maria do Céu Pereira Fernandes nasceu
em Currais Novos, em 06 DE NOVEMBRO DE
1910 e faleceu no Rio de Janeiro, no dia
10 de maio de 2001.
Aos 14 anos de idade, veio morar em Natal para cursar o
secundário no Colégio da Imaculada Conceição, educandário dirigido pelas Irmãs
Dorotéias. Em 1928, Maria do Céu concluiu o Curso Técnico do Comércio e voltou
a residir em Currais Novos, onde fundou um colégio e deu aulas de francês no
seu curso ginasial. Nesse município, Maria do Céu Fernandes criou um jornal, o
“Galvanópolis”, que teve o seu papel político ao se posicionar a favor do
movimento pelo direito da mulher ao alistamento eleitoral. Apoiado pelo então
senador Juvenal Lamartine, o movimento resultou numa lei que admitia, no Rio
Grande do Norte, a inscrição de eleitores sem distinção de sexo. Como
conseqüência, o estado teve as duas primeiras eleitoras do Brasil e a primeira
prefeita eleita da América Latina
Com a repressão que sobreveio à Revolução de 30, Juvenal
Lamartine é deposto da presidência da Província e vai para o exílio. Maria do
Céu é convidada para se candidatar à Assembléia Constituinte Estadual pelo
Partido Popular. Sua candidatura é apresentada como uma proposta de renovação
nos quadros políticos e como símbolo das conquistas políticas da mulher
norte-rio-grandense
Maria do Céu Fernandes enfrenta na campanha eleitoral um
clima de extrema violência. Fiel a seus princípios, defendendo sem medo a causa
feminina e as propostas do Partido Popular, Maria do Céu Fernandes é eleita em
1934. O seu partido elege onze deputados estaduais. Mas, sob o patrocínio da
Interventoria Federal, começa a haver atos de ostensiva intimidação de
parlamentares oposicionistas, sendo Maria do Céu vítima de tentativas de
envenenamento. Ela propõe, então, que todos os seus partidários eleitos se
retirem em grupo para Paraíba, o que de fato ocorreu. Os deputados só voltam na
véspera da posse, sob a proteção do Exército.
Com o golpe de 1937, a Assembléia foi fechada. Maria do Céu
fez oposição ao Estado Novo e, na redemocratização, retirou-se das atividades
partidárias para se dedicar à família. Em 1960 passou a residir no Rio de
Janeiro com o marido, o deputado federal Aristófanes Fernandes. Em 1965, ao
ficar viúva, voltou para o Rio Grande do Norte, para administrar os bens da
família. Atualmente, aos 90 anos, Maria do Céu Fernandes – uma das nove
primeiras deputadas eleitas do Brasil – reside no Rio de Janeiro
Fonte: A Mulher Potiguar – Cinco Séculos de Presença.
Natal-RN, Centro de Estudos e Pesquisas Juvenal Lamartine-CEPEJUL, Fundação
José Augusto, 1999.

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